sábado, 7 de abril de 2012

Lirismo Chileno


A Dançarina e o Ladrão – filme espanhol de 2009, mas que só agora chegou ao Brasil – com  atores argentinos e ambientado no Chile, é um grande acerto do diretor Fernando Trueba. Tirando alguns lugares-comuns do roteiro – ex-presidiário que é chamado para um novo crime, resiste, resiste, mas acaba cedendo; o bandido experiente ensinando o aprendiz; o talento da bailarina pobre  – a película é delicada e emocionante.

Se olharmos apenas para o elenco, a impressão óbvia é de que a trama gira em torno do personagem de Ricardo Dárin – o principal ator do excelente cinema argentino, que está anos-luz à frente do nosso. Mas não é o caso. O casal de quase-adolescentes, Angel e Victoria, é que rouba a maioria das cenas, bem como o título original (El Baile de La Victoria).

Se você está de baixo-astral, não vá ver A Dançarina. A tristeza predomina, e é agravada pela bela fotografia, que explora o Centro de Santiago, a Cordilheira dos Andes. O rio Mapocho, alimentado pelo degelo da Cordilheira, corta a capital chilena e também se faz presente em algumas cenas. Mas há espaço para algum humor, a cargo, principalmente, de Angel.

Darín é uma espécie de Jack Nicholson latino. Escolhe a dedo os filmes em que vai atuar, e em boa parte dos papeis parece estar representando a si próprio. Com certeza, o astro portenho colocará A Dançarina e o Ladrão na sua lista de grandes realizações, ao lado dos excepcionais Nove Rainhas, O Segredo dos Seus Olhos e, principalmente, O Filho da Noiva.       

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