A Dançarina e o Ladrão – filme espanhol
de 2009, mas que só agora chegou ao Brasil – com atores argentinos e ambientado no Chile, é um
grande acerto do diretor Fernando Trueba. Tirando alguns lugares-comuns do roteiro
– ex-presidiário que é chamado para um novo crime, resiste, resiste, mas acaba
cedendo; o bandido experiente ensinando o aprendiz; o talento da bailarina pobre
– a película é delicada e
emocionante.
Se olharmos apenas para o elenco,
a impressão óbvia é de que a trama gira em torno do personagem de Ricardo Dárin
– o principal ator do excelente cinema argentino, que está anos-luz à frente do
nosso. Mas não é o caso. O casal de quase-adolescentes, Angel e Victoria, é que
rouba a maioria das cenas, bem como o título original (El Baile de La Victoria).
Se você está de baixo-astral, não
vá ver A Dançarina. A tristeza predomina, e é agravada pela bela fotografia, que
explora o Centro de Santiago, a Cordilheira dos Andes. O rio Mapocho,
alimentado pelo degelo da Cordilheira, corta a capital chilena e também se faz
presente em algumas cenas. Mas há espaço para algum humor, a cargo,
principalmente, de Angel.
Darín é uma espécie de Jack
Nicholson latino. Escolhe a dedo os filmes em que vai atuar, e em boa parte dos
papeis parece estar representando a si próprio. Com certeza, o astro portenho colocará
A Dançarina e o Ladrão na sua lista de grandes realizações, ao lado dos
excepcionais Nove Rainhas, O Segredo dos Seus Olhos e, principalmente, O Filho
da Noiva.

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