domingo, 16 de setembro de 2012

Ditadura Meia-Boca



Sacha Baron Cohen tentou fazer uma espécie de Borat II em O Ditador. Mas não se saiu bem.  

O filme até que começou nos dando a esperança de algo digerível, mas depois da primeira meia hora já havia apresentado todo o arsenal de piadas previsto.

A partir daí, adotou uma fórmula mais que batida, combinando o estilo comédia de erros – na  qual o protagonista é defenestrado e fica o tempo todo tentando provar quem é – com aquelas improváveis mas previsíveis histórias de amor das comédias água com açúcar do cinema americano, nas quais a mulher bacana tem um caso com um cara retardado, cujo único atrativo é ser o personagem principal do filme.

Um Ben Kingsley subutilizado, sem dizer bem a que veio, contribui para reforçar a ideia de um roteiro confuso e mal-resolvido, que não se decide entre o escracho politicamente incorreto e a crítica à pseudo-democracia norte-americana.

Possivelmente, o filme seria mais divertido se Aladeen (Sacha Baron) passasse mais tempo como ditador em sua longínqua Wadiya – uma rica nação norte-africana – e não como um sem-teto perdido pelas ruas de Manhattan.

A impressão que dá é que acabou a grana para a continuidade das externas realizadas no Marrocos e nas Ilhas Canárias.  

Borat foi um sucesso, e embora não tenha sido uma unanimidade, todos reconheceram em Sacha Baron um comediante diferente. Bruno, seu segundo filme, já foi um desastre completo. 

O Ditador não é tão ruim quanto Bruno, mas dá a entender que o humor cáustico de Sacha Baron cansou cedo demais, já no seu terceiro filme. 

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